A infância nem sempre chega em forma de explicação. Às vezes aparece como irritação, recusa, silêncio, medo, dificuldade para se separar dos responsáveis, brigas, queda de rendimento, mudanças no sono, insistência em controlar situações ou uma frase aparentemente pequena que se repete.
O meu trabalho não começa tentando encaixar a criança em um rótulo. Começa tentando entender quando aquilo apareceu, em quais contextos piora ou melhora, o que mudou ao redor dela e o que ela consegue comunicar através do brincar, das escolhas e das relações.
Quando procurar psicoterapia infantil?
O atendimento pode fazer sentido diante de dificuldades de regulação emocional, medos, ansiedade, mudanças familiares, separação dos pais, luto, chegada de irmãos, conflitos com colegas, dificuldades escolares, comportamentos muito intensos diante de frustração, insegurança ou quando a família percebe que a criança parece diferente do habitual.
Isso não significa que toda mudança de comportamento seja um problema psicológico. Parte do processo é justamente compreender o contexto antes de concluir o que aquilo significa.
O brincar não é uma pausa da terapia. É uma das linguagens da infância.
Jogos, desenhos, histórias, personagens e atividades ajudam a observar como a criança lida com regras, espera, perda, erro, negociação, criatividade, medo, controle, vínculo e frustração. Dependendo da idade e da criança, uma conversa importante pode surgir durante um jogo sem que seja necessário transformar a sessão em um interrogatório.
Os recursos são escolhidos de acordo com o objetivo da sessão e com o vínculo. A criança não precisa aceitar uma atividade específica para que o atendimento “funcione”; a própria recusa também pode trazer informação sobre segurança, autonomia, preferência ou necessidade de controle.
