Uma criança que gostava de ir à escola começa a pedir para ficar em casa. Outra passa a se irritar diante de pequenas frustrações. Um adolescente que costumava contar sobre o dia responde apenas “normal” e fecha a porta do quarto.
Os responsáveis percebem que alguma coisa mudou, mas nem sempre sabem o que fazer com essa percepção.
“É uma fase?” “Será que estou exagerando?” “Meu filho precisa de psicólogo?”
A resposta não vem de uma lista isolada de sintomas. Para compreender o que acontece com uma criança ou adolescente, é preciso olhar também para sua história, seu desenvolvimento, suas relações e o contexto em que essas mudanças aparecem.
Quando procurar psicólogo para meu filho?
A procura por orientação psicológica faz sentido quando existe sofrimento emocional ou uma mudança persistente que começa a interferir no cotidiano, nas relações, na escola ou nas atividades que antes faziam parte da vida da criança ou do adolescente.
Isso não significa esperar que tudo fique insustentável. Uma família também pode procurar uma avaliação para compreender uma dificuldade, receber orientações e decidir, em conjunto com a profissional, se a psicoterapia é indicada naquele momento.
O UNICEF orienta que alterações de comportamento, humor ou interesse que permanecem por semanas e prejudicam o funcionamento cotidiano merecem atenção profissional. A Organização Mundial da Saúde estima que aproximadamente um em cada sete jovens de 10 a 19 anos no mundo viva com uma condição de saúde mental. Esse dado é global e não deve ser usado para diagnosticar uma criança individualmente.
O objetivo não é patologizar o desenvolvimento. É evitar que a frase “é assim mesmo” encerre uma conversa que ainda precisava começar.
Quatro perguntas úteis antes de tentar explicar o comportamento
1. O que mudou em relação à própria criança?
Compare seu filho com a história dele, não com o comportamento de outras crianças. Sempre gostou de ficar sozinho ou começou a se isolar recentemente? Já tinha dificuldade com transições ou isso apareceu depois de algum acontecimento?
2. Há quanto tempo acontece e com qual intensidade?
Uma reação pontual a uma frustração não significa a mesma coisa que sofrimento frequente, crescente ou muito intenso. Observe o padrão sem transformar a casa em um lugar de vigilância.
3. Em quais ambientes a dificuldade aparece?
Ela surge em casa, na escola, nos treinos ou em vários lugares? Existe uma situação específica que costuma antecedê-la? Uma criança pode funcionar bem em um ambiente e enfrentar dificuldades importantes em outro.
4. O que essa mudança está impedindo?
Sono, alimentação, participação na escola, amizades, lazer, rotina e interesse por atividades são partes importantes da observação. Também vale considerar o que professores e outros adultos de referência percebem, preservando a privacidade da criança.
Essas perguntas não são um teste para decidir sozinho se há um transtorno. São maneiras de organizar as informações para uma conversa mais cuidadosa.
Sinais de que vale buscar orientação psicológica
Não existe um único comportamento que, fora de contexto, confirme a necessidade de psicoterapia. Mas algumas situações merecem ser levadas a sério, sobretudo quando persistem ou produzem prejuízo:
- mudanças importantes e duradouras de humor, irritabilidade ou retraimento;
- medos ou preocupações que começam a impedir atividades comuns;
- alterações relevantes do sono e da alimentação;
- perda de interesse por amizades, brincadeiras ou atividades antes importantes;
- conflitos recorrentes com sofrimento para a criança e sua família;
- dificuldade de socialização acompanhada de isolamento ou sofrimento;
- resistência persistente à escola, especialmente quando há sinais físicos ou emocionais associados;
- reações muito intensas a erros e frustrações, que restringem experiências e aprendizados;
- sofrimento relacionado ao corpo, às relações, à internet ou ao ambiente esportivo.
Em situações de fala sobre morte, autolesão, ameaça à própria integridade, violência ou risco imediato, a família deve buscar avaliação de urgência sem aguardar uma consulta eletiva. No Brasil, há atendimento pela rede de urgência, como SAMU 192 e pronto-socorro.
Crianças nem sempre conseguem explicar o que estão sentindo
Adultos podem perguntar: “Por que você está triste?” ou “O que aconteceu na escola?”. Nem sempre a criança já consegue reconhecer, organizar e comunicar a própria experiência dessa maneira.
O brincar, a imaginação, os jogos e outras atividades podem abrir caminhos para compreender como ela experimenta regras, vínculos, escolhas, limites e frustrações.
Por isso, na psicoterapia infantil, a sessão pode ter materiais lúdicos sem que isso signifique apenas entretenimento. O recurso depende da idade, do desenvolvimento, do objetivo clínico e do processo de avaliação.
Os responsáveis fazem parte desse acompanhamento. A conversa inicial costuma reunir informações sobre a história da criança, rotina e motivo da procura; ao longo do trabalho, podem ocorrer orientações e devolutivas adequadas à preservação da intimidade da criança.
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E quando o adolescente diz que não quer conversar?
A adolescência envolve mudanças importantes na autonomia, na privacidade e na relação com os pares. Falar menos com os pais, sozinho, não indica necessariamente um problema de saúde mental.
Vale observar se o silêncio vem acompanhado de sofrimento, rupturas de vínculos, isolamento acentuado, dificuldades escolares ou alterações importantes na rotina.
Também importa como as conversas acontecem. Se qualquer relato se transforma imediatamente em bronca, avaliação ou tentativa de resolver tudo pelo jovem, talvez fique cada vez mais difícil para ele compartilhar determinados assuntos.
O acompanhamento psicológico pode oferecer um espaço próprio de expressão, respeitando os limites éticos e legais do sigilo e a participação adequada dos responsáveis.
Continue a leitura: meu adolescente não conversa comigo: o que pode estar acontecendo? e adolescente não quer ir à escola: o que fazer?.
Dificuldades na escola ou no esporte também podem ser motivo de procura?
Sim. Algumas dificuldades aparecem de forma mais evidente em situações específicas.
Uma criança pode ficar muito abalada ao perder um jogo e evitar novas tentativas. Um adolescente pode gostar de treinar, mas sofrer intensamente ao competir diante dos pais. Outra criança pode querer fazer amigos e ainda não saber como entrar em uma brincadeira ou lidar com pequenas recusas.
O objetivo não é concluir que todos precisam de terapia. É perceber quando a situação exige uma compreensão que vai além de “falta de vontade”, “manha” ou “precisa ser mais forte”.
No esporte, o acompanhamento psicológico também pode contemplar confiança, pressão, expectativas, erro e relações com adultos e colegas. Saiba mais sobre Psicologia do Esporte no PsicoNites.
Como funciona a primeira consulta de psicoterapia infantil ou para adolescentes?
O primeiro contato serve para compreender o motivo da procura e organizar os próximos passos. No acompanhamento de crianças e adolescentes, a participação dos responsáveis é planejada de acordo com a idade, a demanda e as necessidades do processo.
Não é necessário chegar com uma explicação pronta ou um diagnóstico. Você pode apresentar exemplos concretos do que observou, quando as mudanças começaram, o que já tentou fazer e quais dúvidas tem.
O espaço clínico não deve servir para escolher rapidamente um culpado — a criança, os pais, a escola ou o esporte. É um trabalho de compreensão e cuidado.
Veja como funciona a primeira consulta no PsicoNites.
Psicóloga infantil e para adolescentes em São Bernardo do Campo (ABC Paulista)
Sou Larissa Benites Lima, psicóloga, CRP 06/227003. No PsicoNites, realizo atendimento psicológico para crianças de 6 a 12 anos, adolescentes e atletas, além de outras modalidades de psicoterapia.
O consultório fica no Centro de São Bernardo do Campo (SP), atendendo famílias da região do ABC Paulista. Também há possibilidade de atendimento online, quando adequado à situação e às normas profissionais aplicáveis.
Se você procura psicoterapia infantil ou para adolescentes e quer compreender como funciona o acompanhamento, pode conhecer as páginas de Infância e Adolescência ou enviar suas dúvidas sobre o primeiro contato.
Perguntas frequentes de pais e responsáveis
Meu filho precisa ter um diagnóstico para começar terapia?
Não. É possível procurar orientação e avaliação psicológica diante de dificuldades ou preocupações, mesmo quando não existe um diagnóstico. A indicação de acompanhamento deve ser construída a partir da necessidade apresentada.
Criança que faz birra precisa de psicólogo?
Birras e reações a frustrações podem fazer parte do desenvolvimento. Intensidade, frequência, contexto, sofrimento e prejuízos são aspectos importantes para compreender quando procurar uma avaliação.
O psicólogo conversa com os pais ou apenas com a criança?
Os responsáveis participam do processo de forma apropriada à idade e à demanda. A condução das devolutivas respeita o sigilo, a intimidade e a proteção da criança ou do adolescente.
E se meu adolescente disser que não quer fazer terapia?
Escutar o motivo da resistência e explicar o funcionamento do atendimento tende a ser mais útil do que apresentar a psicoterapia como punição. Os responsáveis também podem buscar orientação profissional para avaliar como conduzir a situação.
Como encontrar psicóloga infantil no ABC Paulista?
Verifique o registro ativo no Conselho Regional de Psicologia, conheça os públicos atendidos, a modalidade de trabalho, a localização e como ocorre o primeiro contato. No PsicoNites, os atendimentos presenciais acontecem em São Bernardo do Campo (SP).
Nem toda dificuldade é um transtorno. Toda dificuldade merece contexto.
Às vezes, a família procura uma resposta rápida porque está preocupada e quer fazer alguma coisa para ajudar. É compreensível.
Mas há espaço entre ignorar o sofrimento e transformar cada comportamento em diagnóstico. Nesse espaço, podemos olhar com mais cuidado para o que mudou, para o que acontece ao redor e para aquilo que a criança ou o adolescente ainda não conseguiu comunicar.
Procurar orientação psicológica não significa concluir que há algo errado com seu filho. Pode ser uma forma de começar a compreender melhor o que ele está vivendo.
Fontes e leitura complementar
- UNICEF — Quando ajudar um adolescente a encontrar apoio em saúde mental.
- OMS — Saúde mental de adolescentes (atualização de 2025).
- NHS — Saúde mental infantil e sinais que merecem atenção.
- Ministério da Saúde — Rede de Atenção Psicossocial e atendimento de urgência.
*Conteúdo informativo. Não substitui avaliação psicológica individual.*
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